"O teatro é isso: a arte de nos vermos a nós mesmos, a arte de nos vermos vendo!"
(Augusto Boal)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Uma "mensagem" de fim de ano



Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

(Oscar Wilde)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Saúde Mental e Direitos Humanos

O campo da Saúde Mental (termo que, em si, já representa a visão dualista, segregadora, entre a "mente" o que seria "não-mente"), sempre foi um duríssimo embate em favor dos direitos humanos. Antes mesmo de procurar garantir um atendimento clínico qualificado, os profissionais militantes da Reforma Psiquiátrica sempre precisaram recuar alguns passos e garantir - pasmem - a sobrevivência dos sujeitos, em tudo precária.

Esta é uma luta por vencer. Ainda não superamos esta etapa. Ainda não acabou a guerra contra o abandono, a negligência, os assassinatos, o desrespeito, a segregação. A guerra é sangrenta, vil. É ideológica, mercadológica.

Por isso, são importantes as ações que dão visibilidade ao que é invisibilizado. Neste sentido, recomendo o acesso ao Observatório de Saúde Mental e Direitos Humanos, mantido pela Rede Internúcleos de Luta Antimanicomial. Além das notícias da Rede, lá estão reunidas denúncias contundentes (camadas de "casos") de violações dos Direitos Humanos.

Acessem!

Um grande abraço!!!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mostra Traço de Bolso

Aproveitem! Aproveitem!!!



Cenas que queremos ver

Mais uma do blog da Elaine!
Chegou a hora!!!

Repercutindo a tijolada

Então, com o advento da tecnologia, a internet, o blog, ele pode dar vazão àquilo tudo que só esbravejava pelas ruas, nos bares, no mercado. E o seu blog “Tijoladas do Mosquito” passou a pautar a vida e a política da cidade e do estado. Mosquito matava a cobra e mostrava o pau. Dizia as denúncias com todas as letras. “Ele era muito excessivo”, dizem alguns. Excessivo? Excessivos são os filhos de uma aberração que destroem a cidade, o estado, a natureza, as gentes. Excessivos são os empresários corruptos, os devastadores de praias, os que usam da justiça para proteger os ricos, os políticos ladrões. Esses são os “excessivos”, e Mosquito os nomeava, com nome, sobrenome e CPF, acompanhado de um monte de outros adjetivos de baixo calão. Tão baixo quanto os crimes que as figuras cometem. Ainda que freqüentem os salões.

Mosquito amava a cidade. Cuidava dela como uma mãe extremada vigia seus filhotes.



Do blog da Elaine Tavares.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Memória da Arte

O site da Funarte possui uma série de acervos de artistas fundamentais na história do Brasil, com texto, fotos, videos... É um arquivo importantíssimo, e muito  inspirador, que vale a pena ser "escarafunchado".

Recomendo aqui, especialmente, o acervo de Augusto Boal.
Com um video feito especialmente para o acervo, além de relatos históricos e de trabalho, o acervo retrata a importância de Boal e do Teatro de Arena, por ele dirigido.

Para acessar o acervo de Boal e de outros artistas, acesse o portal Brasil Memória das Artes.


domingo, 4 de dezembro de 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O NUCCA em 2011

Sensibilidade e arte para os alunos do Colégio*

O ano de 2011 foi extremamente proveitoso para o NUCCA. Muitos alunos do Colégio iniciaram o curso este ano, e participaram de um processo de alfabetização à linguagem teatral, estudando os conceitos fundamentais do teatro e as técnicas de representação, construção de cenas e de personagens. Ao mesmo tempo, os alunos que já integraram o Núcleo em anos anteriores pesquisaram a linguagem do Teatro de Formas Animadas, uma modalidade muito particular e interessante de fazer teatro.
No primeiro semestre, tivemos a oportunidade de receber a Cia. Cênica Espiral, que ministrou uma oficina de Manipulação de Bonecos a todos os alunos.
Elaboramos e apresentamos dois espetáculos: o primeiro, com estréia em junho, chamado “Cenicoformas Bonecovivas”, consistia em dez pequenas histórias contadas com a estética do teatro de bonecos. O segundo espetáculo, que estreou no início de novembro, chamado “Há malas que vêm para o trem”, é um suspense cômico, em que os personagens se vêem às voltas com o desaparecimento de um famoso estilista em uma estação de trem, e cujas peças de roupa, misteriosamente deixadas em uma mala, ganham vida e dominam aqueles que as vestem. Todo o processo de criação dos espetáculos é colaborativo: as idéias, o texto, os personagens, a trilha sonora, o cartaz, tudo é feito com a participação ativa dos alunos. O NUCCA tem a cara de seus integrantes!

Vale destacar também a inestimável participação de ex-integrantes do NUCCA durante todo o ano. Pedro Coimbra, aluno egresso do Colégio Catarinense e hoje profissional de teatro, colaborou na preparação corporal e elaborou uma das cenas do segundo espetáculo, além de ministrar oficinas com técnicas de manipulação. Outra egressa do Colégio, Lara Koerich, foi responsável pelas filmagens dos espetáculos e produção de vídeos. Entre outros, também destacamos a participação de Leandro Lunelli, Giovanna Colombi e Gustavo Café. É uma satisfação muito grande contar com todo este apoio!

No ano que vem serão abertas novas vagas para alunos do 8º ano do Ensino Fundamental ao 3ª série de Ensino Médio. Os interessados devem ficar atentos à data de início, que será divulgada no site do Colégio e nas Coordenações.

Enfim, agradecemos à Direção do Colégio Catarinense, e a todos os pais e amigos que fazem do NUCCA uma importante ferramenta de desenvolvimento artístico e humano para os alunos!

E que 2012 venha com muita força, sensibilidade e arte!

Diogo Boccardi




Homenagem
Com grande alegria, e um pouco de saudade antecipada, o NUCCA quer homenagear os integrantes que, em 2011, concluem o Terceirão, e por isso deixarão o grupo (alguns deles para iniciar a Faculdade de Teatro!). Ana, Clara, Dalbem, Pocket, Daniel, Negrão, Camila, Zazá e Caio: parabéns pelo lindíssimo trabalho, e nos levem com vocês para o futuro que constroem a cada dia! Seu lugar está garantido no NUCCA!!!


Depoimento
“O teatro nos permite a vivência de situações que normalmente nos seriam impossíveis. Nos proporciona a chance de sermos infinitas pessoas, seres ou objetos, enfim, personagens, fazendo assim com que entendamos um pouco mais sobre o outro e a nós mesmos. E, entendendo um pouco mais os outros e nós mesmos, a aceitação e principalmente a amizade tornam-se resultados fáceis e até mesmo óbvios, porque são fruto de uma relação totalmente sincera. As amizades que fazemos lá, levamos pra vida toda. Por isso o Nucca não é só um grupo de teatro, é uma família.”
Camila Horbatiuk Dutra, aluna da 3ª série do Ensino Médio


*Texto publicado na revista do Colégio Catarinense - edição Novembro 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Fotografia Grafite

Caríssimos,
No Instituto Müller-Granzotto, durante o mês de dezembro, estão expostas fotografias feitas pela gestalt-terapeuta Sabrina Coelho Poses, de grafites espalhados pela cidade de Florianópolis.
As fotos são lindas!



Gosto principalmente do modo como os grafites foram "atravessados" pelas sombras naturais do dia!
(as fotos não receberam nenhum tratamento digital)



O Instituto Müller-Granzotto, do qual faço parte, é uma clínica de psicoterapia gestáltica, e um centro de difusão de Artes Integradas, em Florianópolis, Santa Catarina.

Visite o site!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Consultoria Organizacional

Caríssimos, foi inaugurado o Núcleo Organizações e Trabalho no Instituto Müller-Granzotto, com o objetivo de desenvolver teórica e metodologicamente a intervenção nas organizações, especialmente em consultorias.

Vejam a descrição do núcleo, clicando aqui!

Um grande abraço e sucesso a todos os membros do Núcleo!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Livros de Humanidades

Caríssimos!

Recebi a indicação de um site excelente, com diversos livros de filosofia, literatura e ciências humanas para download.
É um material maravilhoso!

Acesse: clique aqui!

Obrigado Gizéli!

domingo, 6 de novembro de 2011

Catavídeo 2011

Caríssimos,

Vale prestigiar!

O que fazer?

O portal Carta Maior separou uma série de artigos e entrevistas analisando a crise do capitalismo, e as recentes manifestações. Mas a questão central é: quais as soluções? Onde estão as saídas?


É uma belíssima reunião: Michael Moore, Noam Chomsky, Tariq Ali... 

Perdas

Convido para o evento gratuito, coordenado pelas minhas amigas psicólogas Greice e Lydiane!


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Floresta faz diferença

Caríssimos,
Circula pela rede a moção Floresta Faz Diferença!


Acesse o site, veja os vídeos, manifeste-se.
Abaixo, dois dos vídeos que eu mais gostei:










Abraços!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ella, Nikki

Caríssimos,

Esta canção faz parte da trilha sonora do espetáculo teatral "Há malas que vêm para o trem", que será apresentado pelo Núcleo Cênico do Colégio Catarinense, nos dias 09 e 11 de novembro, às 19h30.
É quase hipnótica para mim!


E, para este fim de semana, mais uma da prodígio canadense Nikki Yanofsky!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Novo espetáculo do NUCCA

Caríssimos!!!
Divulgo o espetáculo do NUCCA, o Núcleo Cênico do Colégio Catarinense, dirigido por mim e pelo Deco.

Chama-se "Há malas que vêm para o trem", um suspense cômico.
O trabalho é todo construído coletivamente pelos alunos atores do grupo.

Segue o cartaz:


Apresentações abertas ao público:
Datas: 09 e 11 de novembro
Local: Teatro do Colégio Catarinense (R. Esteves Júnior, 711, Centro - Florianópolis, SC)
Horário: 19h30
Entrada Franca!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Gestalt nas Organizações

Caríssimos, divulgo o curso Gestalt nas Organizações: intervenção e desenvolvimento das relações profissionais, que começará em novembro:

O Curso Gestalt nas Organizações: intervenção e desenvolvimento das relações profissionais foi criado com o objetivo de desenvolver profissionais capazes de se implicar de forma eficaz em contextos organizacionais.
Público Alvo: Estudantes e profissionais de todas as áreas.
Início: 26 de novembro de 2011.
Local: Instituto Müller-Granzotto - Florianópolis.
9 encontros mensais, aos sábados.

Para ver o programa completo do curso, informações e inscrições, clique aqui!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quando a dor do outro doi em mim...

Caríssimos,
Convido para a atividade gratuita, no Instituto Müller-Granzotto:

Olá!
O Instituto Müller-Granzotto convida você para o próximo Gestalt em Ato:
Quando a dor do outro dói em mim: suporte para o terapeuta que trabalha com situaçôes aflitivas

Esta atividade tem como objetivo ser um espaço de discussão e vivência ligadas a temas atuais pertinentes à prática clínica.
- Entrada gratuita.
Este trabalho será realiazado
dia 19 de outubro de 2011, quarta-feira, às 19hs.
No blog do projeto você vai encontrar mais informações sobre o trabalho que será apresentado.

http://gestaltemato.blogspot.com/2011/10/quando-dor-do-outro-doi-em-mim.html

Blog Gestalt em Ato:
http://gestaltemato.blogspot.com/

Inscrições pelo fone: (48) 3322-2122 ou instituto@mullergranzotto.com.br

sábado, 15 de outubro de 2011

Filmes para crianças


Caríssimos,

Ainda no clima do Dia das Crianças (feriadinho que veio bem a calhar...), estávamos atrás de sugestões de filmes para assistir com minha cunhadinha de 10 anos, a amadíssima Beatriz.
E vi um post no blog Cinéfilo Inútil, com um ranking (ah, essas listas tão questionáveis...) dos supostos 50 melhores filmes para crianças.

É claro que nessa lista estão apenas aqueles filmes mais comerciais, produzidos e distribuídos massivamente.
Mas vale a penas dar uma olhada. É inevitável a sensação de "faça a sua própria lista"!



Para ver a lista completa, clique aqui!

Abraços!




quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ontem

Como a infância é ambígua, e como somos todos infantes...


Mafalda - Quino



Niños - Pedro Guerra e Julieta Venegas

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Workshop - Expressionismo abstrato

Caríssimos,
Encaminho a divulgação!

O SENSÍVEL ACONTECIMENTO DA FORMA



Embasado nos movimentos abstratos expressionistas de Nova Iorque e da Costa Oeste dos Estados Unidos, este workshop é uma exploração do que significa deixar para trás  idéias, tendências e tradições aprendidas em aulas de pintura e na instrução acadêmica para se entregar à experiência de criação com o espírito livre, deixando-se levar pelos sentimentos emergentes, pelo desconhecido que nos habita.

Local Instituto Müller-Granzotto
Manhã/9h às 12h - Tarde/14h às 18h
Coordenação
David Ronce e Meg Tomio



Para ler o texto completo, visite o site do Instituto Müller-Granzotto.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Orientação Profissional

Notícia publicada no site do Instituto Müller-Granzotto:

"No início de setembro, profissionais do Instituto Müller-Granzotto desenvolveram o workshop Tomada de decisão – construindo o futuro, com os alunos do terceiro ano do Colégio Catarinense. O encontro objetivou, além da continuidade da ação de Orientação Profissional que o Colégio já vem desenvolvendo com os alunos, a possibilidade de auxiliar estes jovens a visarem seu processo de tomada de decisões e de proporcionar o sucesso de suas escolhas no aqui-agora e na criação de um horizonte de futuro. Por se tratar de uma prática vivencial, fundamentada sob o ponto de vista técnico e conceitual da Gestalt-terapia, os alunos puderam perceber como se dá a sua tomada de decisão, ou o que os impede de escolher. (...)"

Para informações sobre palestras em escolas ou orientação profissional, ligue para (48) 9915-6611, ou envie e-mail para diogo@mullergranzotto.com.br.

Todos os dias na América

Em todas as Américas:


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Isnard 2011

O Festival de Teatro Isnard Azevedo (que na gestão dário é chamado de Floripa Teatro...) já está chegando!
A relação de espetáculos selecionados, e as notícias sobre o evento, estão sendo disponibilizadas na página da Fundação Franklin Cascaes.
Para acessar, clique aqui!

Tirinha dramática

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dia Nacional do Teatro

Caríssimos,
Passou o Dia Nacional do Teatro (19 de setembro) e pouco se falou.
Em função disso, resgatei uma pequena matéria de 2003, com Sérgio Mamberti e Zé Celso Martinez Corrêa.

Fica o meu desejo, com o deles, de que o teatro no Brasil seja muitos!


No dia em que se comemora o pouco comentado Dia Nacional do Teatro (o dia Mundial, em 27 de março, é mais festejado), dois grandes nomes da classe teatral vivem momentos distintos - e importantes - de suas carreiras. Enquanto José Celso Martinez Corrêa está às vésperas de celebrar dez anos da reabertura da sede do Teatro Oficina, localizada no bairro do Bixiga, em São Paulo, Sérgio Mamberti atua como Secretário de Apoio a Preservação da Identidade Cultural, ligado ao Ministério da Cultura do governo Lula.
Os dois com histórias longas e marcantes dedicadas ao teatro relembraram suas trajetórias, em entrevistas exclusivas ao Portal Terra, e também ressaltaram, com maestria, as principais características do teatro brasileiro. Para Mamberti, a maior delas é a "diversidade". "Devemos comemorar essa data com respeito e alegria, e com o signo do avanço", afirma. "O teatro consegue, como expressão do homem, exprimir a identidade dessa nação tão multifacetada que é o Brasil."
Com quatro décadas de carreira, Sérgio Mamberti, que se formou na Escola de Arte Dramática de São Paulo, em 1962, define-se como "um homem de teatro". "Já são 41 anos de lutas, militância cultural e de profissão", conta. "Foi o teatro que me construiu como cidadão, artista e pensador."
Diante da secretaria, o ator deixou de lado os palcos e passou para "o outro lado". "Os dois lados têm suas dificuldades", define. "Eu sempre participei de discussões culturais e já administrei três teatros. Mas fazer parte do governo, com todas as responsabilidades que isso implica, é difícil. Todos os dias eu me pergunto em como fazer para não decepcionar."
Sobre o Dia Nacional do Teatro, Sérgio Mamberti tem um desejo muito claro para a manifestação artística que abraçou há quatro décadas. "Desejo longa vida! De todas as artes, é a que mais se aproxima do sentido da vida. O instrumento do ator no palco é o corpo, a voz. E o público está ali para um ato de comunhão. Também não podemos esquecer que o teatro nasceu de um ato religioso", explica.
Se tem alguém que nunca esqueceu o caráter religioso do teatro, esse alguém chama-se José Celso Martinez Corrêa. "O teatro é como o candomblé, é uma arte de comparação", define. Aos 66 anos, o lendário diretor é a alma do Teatro Oficina, símbolo de resistência há 42 anos e que desde o dia 15 de agosto - até o próximo dia 9 de novembro - está em cartaz, em São Paulo, com Os Sertões - O Homem - Parte 1 - Do Pré-Homem a Revolta. Em dezembro, o grupo estréia a "parte 2" da trilogia inspirada no livro de Euclides da Cunha, depois de ter levado a "parte 1" para o Rio de Janeiro.
No próximo dia 3 de outubro, a sede do Oficina, idealizada por Lina Bo Bardi, comemora dez anos de reabertura com uma grande festa, anunciada com empolgação por Zé Celso. "Vai ser um ensaio aberto e uma festa", explica, ressaltando que a entrada será gratuita. "Sou contra quem diz que teatro não precisa de dinheiro. Teatro precisa de muito dinheiro, mas você tem que dar para as divindades", diz, voltando ao caráter religioso do ofício. "Se a gente pudesse, cobraria ainda mais barato (a peça custa R$ 20). Mas esse dia vai ser de graça. Será o dia das graças."
(...)
Carnavalização
Por incrível que pareça, para José Celso Martinez Corrêa é difícil falar de teatro brasileiro. "É difícil, porque ainda é muito colonizado. Apenas os grupos mais novos, como os Parlapatões, estão resistindo e se antropofagiando. O próprio Oficina nasceu colonizado e toda a nossa trajetória vem sendo marcada pela descolonização. O Rei da Vela (1967) foi o maior marco dessa descolonização", explica.
Para o diretor é mais fácil, por motivos óbvios, concentrar as suas definições na própria experiência. Falar do Oficina, para ele, é como falar da própria vida. "Tudo o que se faz na vida se confunde com ela", diz.
Sendo assim, Zé Celso discursa naturalmente sobre o grupo, definindo as montagens como "cultura popular apreendida com dor e humor". "A carnavalização é a maior característica do teatro que fazemos. É um teatro que está ligado às artes populares e à religiosidade brasileira, porque o teatro é um lugar de potencialização da cultura. Da cultura que está em Glauber Rocha, nos índios, em Euclides da Cunha...", afirma o diretor.


Leia a matéria completa no Portal Terra.

sábado, 17 de setembro de 2011

Teatro, Design e Inclusão

O Núcleo Cênico do Colégio Catarinense apresentou, hoje, um trabalho no Encontro RDesign Floripa - Reviravolta.
A convite da estudante de Design e ex-integrante do NUCCA, Joana Mitidiero, levamos ao Encontro de Estudantes de Design uma discussão sobre o espetáculo teatral "Sinto o que Alice vê", concebido em 2010 para público cego.

Foi muito bacana trocar as experiências, e mostrar como foi o processo de construção do espetáculo.

Agradecimentos à Joana, que nos convidou, e à Giovanna Colombi (ex-integrante do grupo, atualmente aluna de Teatro na UDESC) que assessorou a apresentação!

Abraços,
Diogo

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Notícias do Congresso Nacional de GT

Notícia publicada no site do Instituto Müller-Granzotto:

Já em 2009 o IMG esteve bem representado em Vitória por ocasião do XII Congresso Nacional de GT, porém desta vez temos muito do que nos orgulhar, por três dias, 07, 08 e 09 de setembro um grupo de 23 profissionais e alunos do IMG estiveram participando em São Pedro (SP) do XIII Congresso Nacional com a apresentação de 16 trabalhos (12% do total de trabalhos apresentados no Congresso).





Para ler o texto na íntegra, e ver mais fotos, clique aqui!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Curso de Teatro e Psicologia

Caríssimos,

(Já estamos na quarta turma!)

Este é um curso de teatro voltado para leigos, profissionais da área da saúde e da educação. Neste sentido, o termo "terapeuta", e o papel de terapeuta, são relativizados: terapeuta é aquele que trabalha com o outro.

Os participantes conhecerão os elementos básicos de alfabetização teatral, com o intuito de ampliar suas possibilidades de expressão e percepção, em qualquer campo.

As inscrições estão abertas, e podem ser feitas pelo e-mail diboccardi@yahoo.com.br.

Os valores são os seguintes:
R$ 240,00 para profissionais
R$ 200,00 para estudantes de graduação e do IMG
(Informe-se sobre desconto para inscrição em grupo)

Estes valores podem ser parcelados, como for necessário.

O curso é realizado em 4 encontros, aos sábados, com duração de 6 horas cada.

Para mais informações e inscrições, envie e-mail ou clique aqui.

Cordialmente,
Diogo Boccardi
diboccardi@yahoo.com.br
(48) 9915-6611


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Se sesse...

Mais uma do Cordel...


A Psicologia a serviço

Segue um trecho de um pequeno texto meu, publicado recentemente no Jornal-Blog Em Cont@ato:


Mas a Psicologia, esta ciência pouco rigorosa do século XIX, também mostra sua falta de coerência. A pesquisa em psicologia vem se rendendo aos interesses da indústria farmacêutica, patologizando os modos de vida. Isto, diga-se bem, faz parte da nossa tradição!
A prática profissional no Brasil, historicamente, é deliberadamente devotada aos Dicionários de Saúde Mental da psiquiatria estadunidense, e não nos melindramos em recorrer a autores que, consagrados pela televisão, esbanjam jargões em livros preconceituosos. As mentes, dizem eles, podem ser perigosas! Podem ser inquietas! É um absurdo.
Em função disso, também somos conclamados pela população a explicar as regras do bem-viver, a dar conta dos comportamentos que incomodam e não são enquadrados nos padrões de normalidade.



Para ler o texto completo, clique aqui.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Análise gestáltica dos grupos no Congresso Nacional de GT

Este é o resumo do terceiro trabalho que irei apresentar no Congresso Nacional de Gestalt-Terapia, na semana que vem.

Até lá!




O desenvolvimento da compreensão sobre grupos humanos na perspectiva da Gestalt-Terapia 

BOCCARDI, Diogo; ZUNINO, Rafael.

Os fenômenos e processos envolvendo a análise e a intervenção em grupos humanos foram objetos de estudo e teorização em diversas abordagens da psicologia e das ciências sociais, em função de sua contínua utilização e constante relevância em diferentes momentos da história. Os conhecimentos produzidos acerca do tema, elaborados mormente por métodos empíricos, oferecem uma vasta gama de leituras e propostas de trabalho aos profissionais que ensejam incursões por este campo. A compreensão do objeto-grupo firmou-se, entretanto, ao longo da história, na associação ou negação a dois modelos: o de agrupamento-de-individualidades, e o de todo-sociedade (Barros, 2009), instaurando uma dualidade que perpassa todas as elaborações teóricas no século XX. Por esta dualidade, a noção de grupo incorre, ou no retorno a um “solipsismo no coletivo” ou, por outro lado, a uma alienação na virtualidade do imaginário social. Não avança, assim, numa caracterização da vivência grupal como experiência mesma do descentramento, da não-coincidência e da abertura ao não-eu, à não-unidade – justamente a perspectiva que, apostamos, a Gestalt-Terapia possa contemplar. Com este intuito, queremos abordar a compreensão dos grupos humanos sob a perspectiva da Gestalt-Terapia, apontando para uma construção fenomenológica da descrição dos processos grupais. Nossa proposta é discutir o trabalho de Perls com grupos, e as elaborações teóricas de Kurt Lewin e Joseph Zinker, hoje tomados como referências para os gestalt-terapeutas que trabalham com grupos. Propomos retomar as contribuições originais dos fundadores da Gestalt-Terapia, em suas intuições e elaborações conceituais e metodológicas, sob três aspectos essenciais, revisados e aprofundados por Müller-Granzotto e Müller-Granzotto (2007), a saber: a influência da descrição organísmica de Kurt Goldstein na experiência clínica; o reconhecimento, na metapsicologia freudiana, da concepção brentaniana de fenômeno psíquico como todo intencional, emergente como “afeto” na experiência relacional; e, o resgate de uma leitura fenomenológica husserliana mais pertinente à teoria do self (Goodman, Hefferline e Perls, 1997), onde a noção espacial dos grupos cede lugar a uma perspectiva temporal. Todo este aporte para então indagarmos: é possível, no trabalho com grupos, superar a perspectiva topológica, espacial, em favor de uma perspectiva temporal? Em caso afirmativo, com este viés depreenderemos novas formas de configurar e intervir nos grupos?

BARROS, R. B. (2009). Grupo: a afirmação de um simulacro. Porto Alegre: Sulina/Editora da UFRGS.
GOODMAN, P.; HEFFERLINE, R.; PERLS, F. (1997). Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus.
MÜLLER-GRANZOTTO, M. J.; MÜLLER-GRANZOTTO, R. L. (2007). Fenomenologia e Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Psicose e Ficção no Congresso Nacional de GT

Segue o resumo do segundo trabalho que apresentarei no Congresso Nacional de Gestalt-Terapia, este com minha colega Tamara Emerim Guerra.




PSICOSE E FICÇÃO: FUNÇÃO E AJUSTAMENTOS NA EXPERIÊNCIA DA FICÇÃO E DA ARTE SOB O OLHAR DA GESTALT-TERAPIA

GUERRA, Tamara; BOCCARDI, Diogo.

Para a GT todas as nossas formas de estar no mundo são chamadas de ajustamentos. Neste trabalho temos por objetivo apresentar e discutir as diversas funções da ficção frente aos sujeitos – ou seja, que ajustamentos podem emergir diante de uma obra de ficção, como filmes, música, literatura e as artes em geral. A partir de seus efeitos, na forma de ajustamentos criadores, percebemos que filmes, séries, literatura, e outros modos de expressão ficcional cumprem diferentes funções na experiência. A Gestalt-Terapia, tal qual desenvolvida por Paul Goodman a partir das intuições clínicas de Fritz Perls (GHP, 1997/1951), descreve a experiência sob três pontos de vista, chamados justamente de funções. Falamos da função Id, da função de Ato e da função Personalidade, com as quais os autores identificam os diferentes modos clínicos.
Em nossa prática, organizando sessões de filmes de ficção científica para pessoas que se ajustam psicoticamente, observamos que diferentes ajustamentos criadores configuram o campo. Chamamos estes encontros periódicos de “Sessão Sci-Fi”. A Sessão Sci-Fi é um espaço para que as pessoas possam se encontrar sem demandas para que compreendam algo sobre si, sobre o filme, ou sobre uma teoria. Constitui-se uma espécie de intervenção clínica no campo dos ajustamentos psicóticos, complementar à escuta e ao acompanhamento terapêutico, que privilegia espaços de convivência sem exigências afetivas e sociais, aos quais os sujeitos da psicose não podem responder.
Para além das formações psicóticas – como os delírios e as identificações maníacas e depressivas, nas quais as obras propiciam que a angústia seja aplicada – percebemos a ocorrência de outros modos de participação no campo organismo/ambiente. No âmbito dos ajustamentos sincréticos ou fluidos, a experiência com a ficção está relacionada à fruição estética e à formação de identidades objetivas. No âmbito da neurose, a peça de ficção oportuniza a vivência catártica das emoções, ou seja, serve como forma de evitação dos excitamentos que, como situações inacabadas, retornam nas vivências. Outra possibilidade, ainda, é que os filmes ou outros elementos artísticos ou ficcionais permitam que as pessoas aprendam algo, e sejam usados como elementos didáticos, que forneçam dados da realidade nos quais a aflição possa ser aplacada.


BIBLIOGRAFIA
MÜLLER-GRANZOTTO, Marcos José & Rosane Lorena. “Clínica dos ajustamentos psicóticos: uma proposta a partir da Gestalt-terapia”. IGT NA REDE. URL: http://www.igt.psc.br/ojs/viewarticle.php?id=176&layout=html
MÜLLER-GRANZOTTO, Marcos José & Rosane Lorena. Fenomenologia e Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2007. 366p.
PERLS, Frederick; HEFFERLINE, Ralph; GOODMAN, Paul. 1951. Gestalt Therapy: excitement and growth in the human personality. Second Printing. New York: Delta Book, 1965.Tradução utilizada: Gestalt-Terapia. Trad. Fernando Rosa Ribeiro. São Paulo: Summus, 1997.
LIMA, Elisabeth Araújo. Arte, clínica e loucura: território em mutação. São Paulo: Summus/Fapesp, 2009.

Planejamento Estratégico no Congresso Nacional de GT

Caríssimos,

Segue abaixo o resumo de um dos trabalhos que apresentarei no Congresso Nacional de Gestalt-Terapia, na semana que vem.
Na sequência, publicarei os outros dois resumos.

Até lá!




O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA ABORDAGEM GESTÁLTICA: UMA PERSPECTIVA DE CAMPO 

BOCCARDI, Diogo; FIGUEIRÓ Janaína. 

Desde sua gênese no domínio da Filosofia, o significante Gestalt representa um todo espontâneo e indeterminado, que se forma a cada vivência no aqui-agora das relações (Müller-Granzotto e Müller-Granzotto, 2007). Isto significa, como perceberam Perls e Goodman a partir da releitura clínica dos trabalhos de Kurt Goldstein, que a emergência do indeterminado é ocasião para análise e intervenção no sistema de contatos, chamado sistema self (Goodman, Hefferline e Perls, 1997). Reconhecida quase exclusivamente por sua prática terapêutica, a abordagem gestáltica caracteriza-se como uma abertura àquilo que de estranho, de espontâneo, acontece ao campo. Ao mesmo tempo, nas empresas não há lugar para o espontâneo e indeterminado, haja vista que a padronização e o controle dos processos são perseguidos como valores indispensáveis. Neste sentido, como a abordagem gestáltica realiza intervenções em contextos organizacionais? Queremos discutir justamente a possibilidade de realizar procedimentos organizacionais, como o Planejamento Estratégico, sob uma perspectiva de campo, que dê conta dos desvios e da criatividade de cada instituição. O Planejamento Estratégico é uma ferramenta que possibilita perceber e construir caminhos futuros para a instituição, definição que encontra ressonância na noção gestáltica de contato. Segundo Goodman, Hefferline e Perls (1997, p. 48), “contato é achar e fazer a solução vindoura”. Não concordamos, no entanto, com o entendimento de que o Planejamento Estratégico seja uma maneira de racionalizar a tomada de decisão, como se esta fosse algo racional, e não movido pela emergência de um afeto ou de uma situação inacabada. O trabalho do gestalt-terapeuta na empresa é justamente viabilizar a emergência dos afetos, que darão orientação aos atos das pessoas. Não se trata de garantir o futuro da empresa, como almejam administradores e alguns psicólogos organizacionais. Afinal, o futuro é incerto e imprevisível. Mas é possível ampliar os horizontes de passado (ligado aos valores e à história da empresa) e de futuro (relacionado à missão e à visão da empresa), em favor de um incremento na produtividade e na qualidade de vida no trabalho. Nossa prática indica que a análise da forma possibilita que as empresas escolham quando repetir sua forma ou quando inovar – sempre partindo daquilo que já apresentam como forma, de suas características. Cabe fornecer dados quando a empresa não possui informações claras sobre seu funcionamento ou a realidade do mercado, mas também de operar no sentido da responsabilização das pessoas e dos grupos, por suas ações e escolhas cotidianas, ampliando o fluxo de awareness.

Bibliografia
CHIAVENATO, I. Planejamento Estratégico: Fundamentos e Aplicações. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
GOODMAN, P.; HEFFERLINE, R.; PERLS, F. Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus, 1997.
MÜLLER-GRANZOTTO, M.J.; MÜLLER-GRANZOTTO, R. L. Fenomenologia e Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus, 2007.