"O teatro é isso: a arte de nos vermos a nós mesmos, a arte de nos vermos vendo!"
(Augusto Boal)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Dos espelhos que me olham


O AUTO-RETRATO

(Mário Quintana)

No retrato que me faço
- traço a traço -
Às vezes me pinto nuvem,
Às vezes me pinto árvore...

Às vezes me pinto coisas
De que nem há mais lembrança...
Ou coisas que não existem
Mas que um dia existirão...

E, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
Minha eterna semelhança,

No final, que restará?

Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Dedicatorias

São a coisa mais linda! Tenho alguns poucos livros cujas dedicatorias me marcaram profundamente.
(Algumas até, modestamente, plagio com discrição...)

A matéria abaixo é uma belezura, e vale a pena abrir mão da aridez da vida cotidiana para desfrutar de uns minutos de delicadeza:

Com o Natal, fica a dica: podem me dar dedicatorias de presente! Se vierem com um livro, é até melhor!



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

DESTEMPERADOS

Aí está!

Todos estão convidadíssimos para o espetáculo "Destemperados: à grega, à francesa e à normal", do Núcleo Cênico do Colégio Catarinense!




As apresentações são gratuitas e abertas a todos os públicos.

Prestigie!

domingo, 4 de novembro de 2012

Goiabada

Finalizando a produção do espetáculo teatral "Destemperados: à grega, à francesa, à normal", do Núcleo Cênico do Colégio Catarinense, me deparei com esta lindeza de música, na voz da Elis.

Abaixo, o comentário (retirado do blog A força que nunca seca), e o vídeo.

“O Rancho da Goiabada”, música composta por Aldir Blanc e João Bosco em 1978 fala sobre a triste realidade dos bóias-frias brasileiros e as dificuldades que eles encontram até para se alimentar. Para esses bóias-frias, bife a cavalo, batata frita e goiabada cascão com muito queijo não passam de sonhos, e eles mal têm acesso a um digno prato de comida. Com a exuberância já conhecida de sua voz, Elis Regina canta o outro lado da fome, que ao invés da fartura traz falta, ao invés da satisfação traz sofrimento. Ao ouvirmos a canção, o que podemos esperar é que um dia a beleza da voz de Elis Regina e a beleza da composição de Aldir Blanc e João Bosco possa também rechear o prato de todos os brasileiros, todas as pessoas do mundo.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sofrimento

Ah, a quem serve a paz dos que dormem?
Foi-se o tempo de condenar as paixões!

Recomendo a leitura do pequeno texto do psicanalista Vladimir Safatle, publicado na Revista Carta Capital:



E, para celebrar as paixões, ninguém melhor que o Vinícius!


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Psicopatologia



Caríssimos,
Façam um favor ao mundo: leiam a reportagem (e a análise) publicada no blog Cientista que virou mãe.

Imprescindível!!

Clique aqui para ler o post sobre medicalização como pretensa solução para a desigualdade social!


terça-feira, 23 de outubro de 2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Maestria

Ser professor é o que mais me gosto. E me sinto muitos professores. Insatisfeito, inseguro, vaidoso, atento, criativo, indisciplinado, cansado, esforçado, frustrado, impotente, potente, farsante, esperançoso.
Mas há sempre afeto. Muito!




Hoje, ser professor é minha profissão. Nem sempre foi assim. Já foi sonho, já foi novidade, já foi impossível, já foi espelho.
Mas sempre foi afeto. Muito!

 











Tempo no cinema!

Divulgando!!!
Aproveitem!


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Dia Mundial da Saúde Mental

Ontem foi o Dia Mundial da Saúde Mental, declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O Coletivo PIRA, de Florianópolis, publicou em seu blog uma série de reportagens e notas sobre o dia.
Vale muito a leitura!!

Para acessar, clique aqui.

Saudações antimanicomiais!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Casaldáliga

Em função dos 50 anos de regulamentação da profissão de psicólogo no Brasil, o Conselho Federal de Psicologia promove o pêmio Paulo Freire, concedido a pessoas que lutam por justiça social.
Por indicação do CRP 18a Região, um dos premiados é o irretocável D. Pedro Casaldáliga.

Assino embaixo, e me regozijo com a imagem de Pedro, seu exemplo, sua força!

 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Oficina de Clown!

Caríssimos,
Recomendo muitíssimo a oficina "Descobrindo o seu Palhaço", ministrada pela Traço Cia. de Teatro!
Destinada também a pessoas que querem adentrar o universo do teatro. Grande oportunidade!!!

Segue o cartaz de divulgação:


terça-feira, 2 de outubro de 2012

ZUMANITY

Recentemente soube de um espetáculo especial do Cirque du Soleil, voltado ao público adulto. O que significa dizer: números sensuais, figurinos e enredo bastante erotizados, coreografias lindíssimas, corpos perfeitos, ousadia, simplicidade, crueza, força.

E muita poesia!
(Afinal, é o Cirque du Soleil)

O espetáculo se chama Zumanity.
Vejam dois videozinhos que separei:





Vale a pena pesquisar!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ouvir histórias




Coisa de fã?
Pode ser!
Na verdade, tornei esse negócio de ouvir histórias minha profissão.

Então, compartilho a entrevista do Chico, para a equipe da Caros Amigos, feita há catorze anos.
Fala sobre a carreira, arte, liberdade e ditadura, criatividade, a imprensa... São histórias!



Cenas eleitorais

Ah, o voto! Sublime panaceia democrática...

Veja esta matéria, sobre o financiamento das campanhas políticas, do Portal Carta Maior:

Os descaminhos do dinheiro: a compra das eleições

A grande corrupção é aquela que é tão grande que se torna legal. Trata-se do financiamento de campanhas. A empresa que financia um candidato – um assento de deputado federal tipicamente custa 2,5 milhões de reais – tem interesses. Estes interesses se manifestam do lado das políticas que serão aprovadas mais tarde. Do lado do candidato, apenas assentado, já lhe aparece a preocupação com a dívida de campanha que ficou pendurada, e a necessidade de pensar na reeleição. O custo da campanha é cada vez mais descontrolado. O artigo é de Ladislau Dowbor.





E aqui, um site que mostra as declarações de bens e de gastos de campanha, de todos os candidatos no país! É interessantíssimo!

domingo, 30 de setembro de 2012

O homem ajuda o homem?



Esta semana assisti ao espetáculo Baden Baden, dirigido por Vicente Concilio. Uma beleza! Fui atravessado por diversas vozes e biografias, que não eram minhas mas assim pareciam.

Em cena, apenas mulheres, e nenhuma reflexão de gênero. Que bálsamo! Numa estética em que o particular é genérico, indeterminado, há muito espaço para que o espectador complete o vazio de sentidos. Há um universo.
Na saída, ouvi comentários pretensamente analíticos, como: "conseguiram fugir dos clichês do Brecht, né?", ou "ficou divertido, com um tom irônico". Até tentei, eu mesmo, analisar: "tem um ritmo muito bom, ainda que caia um pouco na parte final...".

Mas, prestando atenção no que sentia e respirando fundo, me dei conta de que esses comentários tinham mais a função de solapar a angústia, dar tempo para respirar, do que propriamente produzir um saber sobre o espetáculo. Diante da vida, da falta de sentido, não é o enquadramento técnico ou o discurso panfletário que arrastam. É a violência. E Baden Baden foi, em mim, violento.
Fui contemplado pelos mortos.

Depois de dormir (pouco e mal), fiquei cantarolando Chico. 
Mais uma tentativa de preencher a angústia?

Vai minha homenagem aos mortos:


"Vence na vida quem diz sim" - Chico Buarque e Ruy Guerra, para o espetáculo teatral Calabar ou o elogio da traição.


E minha homenagem às atrizes:


"Ana de Amsterdam" - Chico Buarque e Ruy Guerra, para o espetáculo teatral Calabar ou o elogio da traição.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O que não se pode esquecer

Quando a angústia se torna familiar...


Ismênia: Tu pareces desejar, com o coração ardente, o que nos causa calafrios de pavor!
Antígone: Só sei que cumpro a vontade daqueles a quem devo agradar.
Ismênia: Se tu o fizeres... mas o que desejas é impossível!
Antígone: Quando me faltarem as forças, eu cederei
Ismênia: Mas não é prudente tentar o que é irrealizável!
Antígone: Visto que assim me falas, eu te odiarei! E serás odiosa, também, ao morto, junto a quem serás um dia depositada... E com razão! Vamos! Deixa-me, com minha temeridade, afrontar o perigo! Meu sofrimento nunca há de ser tão grande, quanto gloriosa será minha morte!
Ismênia: Já que assim queres, vai! Bem sabes que cometes um ato de loucura, mas provas tua dedicação por aqueles a quem amas!


El Greco

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Festival Isnard Azevedo 2012

Em Floripa é assim: a cultura local tem pouco espaço e, quando há eventos de teatro, eles se acumulam, qual maratona, praticamente inviabilizando que as pessoas assistam aos espetáculos.

Pois que, no mesmo período do Festival Palco Giratório, que acontece durante todo o mês de setembro, e que já foi divulgado no blog, a cidade sedia também o tradicional Festival de Teatro Isnard Azevedo (que a gestão Berger insiste em chamar de "Floripa Teatro").

Até o final da semana, espetáculos gratuitos por toda a cidade, em diversos horários!

Para acessar o site oficial do Festival, clique aqui!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

domingo, 16 de setembro de 2012

Curtas

Mais um convite:
Lançamento de curtas produzidos em Santa Catarina, com verba do Funcine.

Para acessar, clique aqui!


Cineclube MG - setembro

Caríssimos,
Segue o convite para mais uma edição do Cineclube Müller-Granzotto, atividade gratuita!


sábado, 1 de setembro de 2012

Palco Giratório 2012



Caríssimos, começa neste sábado o Festival Palco Giratório em Santa Catarina, promovido pelo SESC.
É um grande festival de artes cênicas, com um mês inteiro de atividades.

Imperdível!!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Emprestar o corpo



Na clínica, e especialmente na Gestalt-terapia, a expressão "emprestar o corpo" tem diversos significados que ajudam a orientar a atuação do profissional.
No atendimento a ajustamentos evitativos, chamados de neuróticos, "emprestar o corpo" é partir das próprias percepções para fazer intervenções. Não atuo em função de um saber prévio (adquirido em livros ou em cursos de psicologia, por exemplo), ou de um modelo a ser seguido ou alcançado, mas daquilo que o outro provoca em mim.
Na clínica dos ajustamentos de busca, chamados de psicóticos, "emprestar o corpo" é permitir que, na realidade, sejam compartilhados modos de vida que em outros espaços não têm lugar, não têm direito de cidadania. Com meu corpo posso ser co-participante de uma fixação alucinatória ou delirante, sem produzir demandas por afeto - ou seja, posso dar suporte e continente àquilo que é produzido pelos outros corpos, mesmo que não façam sentido para mim.
Em situações de exclusão (sejam vivências de luto, de injustiça, de abandono), meu corpo, emprestado ao outro, constitui um dado concreto capaz de servir de porto seguro quando tudo o mais desapareceu. Um abraço, um ouvido, um colo, uma mão, tornam-se a ocasião para que o sujeito, aflito, possa recuperar a capacidade de localizar-se no tempo e no espaço, e voltar a desejar e criar sua própria existência material.

Mas na arte tudo isso ganha dimensões inimagináveis. À arte, o corpo do artista não está apenas "emprestado", mas entregue. Enquanto produzo a obra, espontaneamente acontece uma espécie de reversão: sou surpreendido por algo que eu mesmo fiz. Minha criação me atravessa, me modifica, me cria. Praticamente "me ensina sobre mim".




A história da arte é repleta de manifestações curiosas sobre o uso do corpo. A body art já foi vanguarda, e hoje é quase "lugar comum", entre as tantas mídias que surgem como opções para a expressividade.

Mas continuamos encantados com certas ideias, muito simples, mas nas quais podemos nos olhar, nos identificar, nos estranhar. As fotos deste post são do fotógrafo Allan Teger, que usa corpos nus e miniaturas para criar as "paisagens" de suas imagens. Para ver mais, visite o site do artista!




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

GT e a clínica da neurose

Caríssimos,
Aproveito para recomendar o texto de um amigo, Marcus Cézar, gestalt-terapeuta do Ceará, que foi originalmente publicado em seu blog Ajustamento Criativo.

Bem bacana!

Clique abaixo para ler o texto:

domingo, 19 de agosto de 2012

4° GT Catarina

Caríssimos,
Neste ano, a equipe do Instituto Müller-Granzotto prepara o 4° GT Catarina de forma muito especial. Após consolidar a identidade da Gestalt-terapia nas três edições anteriores do congresso, este ano o encontro discutirá a dimensão política da clínica gestáltica. Por isso, será realizado, durante a programação do GT, o primeiro Colóquio Paul Goodman, que inclui a exibição inédita do documentário "Paul Goodman changed my life", com a presença do diretor Jonathan Lee.
Imperdível!



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Um acalanto

Um acalanto para o início da semana!

Música composta por Chico Buarque, para a montagem de "Os inimigos" de Máximo Górki, dirigida por José Celso Martinez Correa:


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Cubismo da vida real

"Violino num café" - Pablo Picasso


Caríssimos,
Muito fiquei a pensar depois de ler esta matéria...
Mais do que compartilhar tudo o que pensei, deixo aqui a indicação para que cada um pense o que se fizer pensamento!




O esquadro disfarça o eclipse
que os homens não querem ver.
Não há música aparentemente
nos violinos fechados.
Apenas os recortes dos jornais diários
acenam para mim como o juízo final.

João Cabral de Melo Neto

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Curso no Ceará

Convido a todos para o Curso de Formação em Gestalt-Terapia com Crianças e Adolescentes, em Juazeiro do Norte, promovido pelo Diálogos, com início em setembro.
Segue o cartaz de divulgação, com o programa do curso:



quarta-feira, 25 de julho de 2012

"Fadem-se os contos"

Caríssimos,
O tempo vai passando, os desejos vão cobrando seu direito de existência, sua materialidade...
Assim ouço sempre essa música pensando em ilhas desconhecidas, alcançadas pelo futuro.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Uma vida severina

Caríssimos,
Segue o cartaz de divulgação da próxima edição do Cineclube, em Florianópolis.
Recomendo!




No blog do projeto há mais informações!

domingo, 15 de julho de 2012

sábado, 14 de julho de 2012

Congresso Internacional de Gestalt 2013

Caríssimos,
Segue abaixo o cartaz do Congresso Internacional de Gestalt, que acontecerá em Cartagena, na Colômbia, em maio de 2013:


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Workshop com Quattrini

Caríssimos,
Segue cartaz de divulgação do Workshop "Sonhos, Teatro e Gestalt-Terapia", com o gestalt-terapeuta italiano Paolo Quattrini, que será realizado em agosto em Florianópolis!



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Medo do palco?



Caríssimos,
Compartilho um artigo simples, sugestão de meu amigo Matheus, da banda Ryokan.


Acrescento que o medo e a ansiedade são fantasias, "desejos ao contrário". Então, é sempre bom perguntar: medo do palco é medo de quê? Medo do palco é desejo de quê?

Grande abraço a todos que se mostram (e se escondem) em cima de um palco!


domingo, 8 de julho de 2012

NUCCA pesquisa




No segundo semestre de 2012 o NUCCA – Núcleo Cênico do Colégio Catarinense conceberá um novo espetáculo, inspirado no tema da alimentação.
Em função disso, na sexta-feira, dia 1º de junho, o NUCCA reuniu-se para mais um encontro de pesquisa para a construção do espetáculo de final de ano. No intuito de explorar diferentes possibilidades de agregar o tema da alimentação à encenação teatral, fomos recebidos na casa do aluno Nicholas Kucker Triana do 2º ano do Ensino Médio. O grupo foi convidado a usar roupas coloridas e descombinadas, e Olavo e Maria Andrea, pais do Nicholas, estimularam os presentes com um ambiente à meia luz, num breu colorido, ao som de Janis Joplin e Buffalo Springfield.
Aos poucos, diferentes alimentos foram oferecidos, com sabores inusitados e surpreendentes. A interação do grupo foi entremeada pela declamação de poemas de Jack Kerouac e Allen Ginsberg, entre outros.
Para além dos exercícios de criação cênica que realizamos no encontro, fomos conduzidos pelo clima profundamente sensorial dos sabores, sons e sentidos da contracultura norteamericana das décadas de 1950 e 1960 que, vivendo a suposta prosperidade do pós-guerra, começou a apresentar alternativas ao chamado american way of life.
Os alunos presentes, espontaneamente, começaram a se perguntar pelas razões e desrazões de suas motivações, de seus desejos, e das próprias condições em que se estabelecem os vínculos de amizade do grupo. 

Sem dúvida, foi um encontro transformador!


Diogo Boccardi 
(professor do Núcleo Cênico do Colégio Catarinense)






quarta-feira, 20 de junho de 2012

DUAL - Convite

Caríssimos,
Convido para a apresentação do espetáculo do Nucca, dirigido por mim e pelo meu colega Deco.

Compareçam!




Ficha Técnica

Direção: Diogo Boccardi e Edélcio Philippi
Assistência de Direção: Leandro Lunelli
Cenografia e figurinos: o grupo
Adaptação dos contos: o grupo
Elenco: Anna Carolina Vallim, Ariza Bueno Tozato, Augusto Pfeiffer Colleoni, Bernardo Ferrari Mendonça, Bianca Costi Farias, Catharina Jaeger, Isabella Pereira, Isadora Marques Sueldo, João Xavier, Marco Antônio Higino, Mariana Smânia, Matheus Alano de Bem, Paula Espínola, Pedro Cruz, Thaís Espínola.
Assessoria – Literatura: Profa. Lenita
Oficina de cenotécnica: Leandro Lunelli
Supervisão: Silvio Ernesto Bleyer

Contos adaptados:
“O espelho” – Machado de Assis
“O menino do espelho” – Fernando Sabino
“Varandas da Eva” – Milton Hatoum
“Viagem a Petrópolis” – Clarice Lispector

Apoio: Associação de Pais e Professores do Colégio Catarinense

terça-feira, 19 de junho de 2012

Psicose e Sofrimento - noite de autógrafos



Caríssimos,
Nesta quarta, dia 20, será lançado o livro "Psicose e Sofrimento" dos meus professores e amigos Marcos e Rosane Müller-Granzotto, editado pela Summus. A noite de autógrafos será no Nomuro Lounge, na Lagoa da Conceição.

Todos convidados!

Abaixo, o cartaz do Nomuro:


sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Bramiu a faca"




(...) Dentre os livros que eu lia estava um, com historietas de Hans Christian Andersen. Uma delas, em particular, sempre me emocionou. Era a da vendedora de fósforos. Numa noite de natal uma guriazinha anda pela rua cheia de neve, tentando vender seus fósforos para poder comer e se aquecer. Ninguém compra. Ela então se abriga numa marquise onde observa as famílias comendo, felizes, celebrando o natal. E ela está sozinha, com frio e com fome. A história termina com a menina morrendo de frio, em pleno natal, porque ninguém lhe havia comprado um fósforo. Aquilo é horrível.

Eu lembro que ficava no tapete, lendo, e questionando minha mãe. Ela tinha sempre as respostas. Uma vez, lendo a história, em lágrimas, comentei indignada: “Alguém podia comprar o fósforo. A guriazinha não morreria”. E minha mãe, da pia, bramiu a faca que lavava: “Não deveria era existir criança precisando vender fósforo”. E eu assenti. Era isso. (...)


quinta-feira, 14 de junho de 2012

FITA Floripa 2012



Opa!
Este mês de junho está quentíssimo, com muitas atividades de teatro e de gestalt-terapia pela cidade!!

Divulgo agora o FITA Floripa, Festival Internacional de Teatro de Animação, que já está com a programação disponível no site do evento.

Vale muito conferir!!

Foto do espetáculo "Don Juan, memoria amarga de mí", da Companyia Pelmànec, da  Espanha - apresentado no FITA 2010

terça-feira, 12 de junho de 2012

Cenas de amor

Para este dia dos namorados, pensei nas canções rasgadas do Vinícius, nos diálogos empolados do Shakespeare, nas reflexões obtusas do Freud... mas preferi estes dois lindos curtas, do "Paris, te amo"!



Olhar para Merleau-Ponty

Mais um convite/divulgação!



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Convites - GT

Convido para as atividades promovidas pelo Instituto Müller-Granzotto. A primeira neste mês, e a segunda (o congresso GT Catarina) em novembro - ambas em Florianópolis.



sábado, 9 de junho de 2012

Diante de mim, eu mesmo

Neste tempo frio de Florianópolis, o Núcleo Cênico do Colégio Catarinense prepara um pequeno espetáculo teatral, resultado da adaptação de quatro contos da literatura brasileira. Em comum, eles apontam para os estranhamentos e as descobertas sobre nós mesmos, conforme passa o tempo.
Olhar para si é sempre perceber a diferença entre o já sido e o vir a ser.

Para todos, fica o lindo poema da Cecília Meireles, que traduz e antecipa o espetáculo que iremos apresentar:


Um grande abraço!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Arte incrível

Caríssimos,
Vejam que incrível a escultura e projeção de sombras!

É do Shigeo Fukuda (google it)!



sexta-feira, 25 de maio de 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

Em Branco




Caríssimos,
Esta semana estreia no TAC, em Florianópolis, o espetáculo teatral Branco, dirigido por Leandro Lunelli, com uma proposta ousada e sensível. Atendendo um convite, Leandro escreveu especialmente para o Gestalt em Cena, contando um pouco sobre o processo criativo, e nos deixando com mais curiosidade sobre o que veremos em Branco.

Boa leitura, e bom espetáculo!


’Em branco’

‘Branco’ é um projeto teatral que me ocupou mais de um ano e meio, e que agora, nos fins de maio, pretende finalmente subir ao palco. Descrevo brevemente nessas linhas o nosso processo de concepção da dramaturgia e seu entrelaçamento nas criações plásticas da linguagem cênica trabalhada.
Farei o esforço em separar aqui as linhas dramatúrgicas do espetáculo descrevendo-as individualmente, mas penso que talvez seja um pouco difícil visto que todo o processo foi construído simultaneamente e de maneira integrada, sem constituir etapas fragmentadas no processo criativo. Ou seja, ‘tudo junto e misturado’.
            ‘Branco’, rapidamente, é um espetáculo teatral que se utiliza da articulação de vários meios artísticos, como as artes plásticas, a música, a dança e o cinema, junto às artes cênicas na tentativa de transformar a experiência teatral do espectador. Tenta fazê-lo vivenciar o espetáculo muito mais do que somente assisti-lo. Queremos levá-lo o mais próximo possível da narrativa apresentada no palco. Não temos aqui, como alguns podem pensar, um espectador ativo ou participativo do evento teatral – como o engajado por Bertold Brecht, por exemplo – mas um público ‘integrante’ do espetáculo.
            Quando me refiro a um público ‘integrante’, não podemos fazer com que o pensamento nos conduza a um espectador que faça parte da dramaturgia da cena, mas um signo que se faz ao mesmo tempo observador da cena e sensorialmente integrante dela. Digo isso, pois o ‘Branco’ tem, em suas concepções, o objetivo de misturar arte e tecnologia. Assim, juntando essas duas possibilidades de trabalho – um público ‘integrante’ e os efeitos especiais, resultado da perpendicularidade entre a arte e as tecnologias – obtemos um espetáculo em 6D.
            Seis dimensões: três relativas ao comprimento, altura e largura da própria arte cênica e das projeções em 3D; e mais três dimensões sensórias: tato, olfato e paladar - alcançadas através dos efeitos especiais. Ou seja, pesquisa-se aqui e assim, um diferente modelo de interpretação pautado na interação do ator com os meios tecnológicos. Entendendo: um ator que cheira uma flor no palco italiano se expressa com esta ação. O espectador não somente o vê cheirando uma flor e se ‘toca’ na reflexão da ação imagética do ator, mas se posiciona junto a ele na ação, principalmente, quando ao assisti-lo, também sente o cheiro da flor. Assim, o ator ganha expressões antes inalcançáveis e o público integra o espetáculo ao ser inserido sensorialmente na narrativa.
Para isso, a dramaturgia original foi construída e submetida a todas essas intenções conceptivas do projeto. O que transborda estas intenções é a linha dramática embrionária do espetáculo: um pequeno texto que delineia poucas informações sobre os personagens, o espaço e a história que antecede e dá o ponto de partida da narrativa. Assim, para escrever este pequeno ‘roteiro’, foram definidas duas principais questões: o enfoque ‘humano’ que queríamos trabalhar – a amizade como forma de vida – e o espaço pela qual a narrativa se apresentaria – o surreal dos sonhos, o mundo onírico. Pontos indispensáveis e condutores de todo o trabalho.
Para começar a escrever esta linha dramática, lembro-me que a Karine Cupertino, auxiliar de dramaturgia, em uma das muitas conversas que tivemos, solicitou que eu pedisse aos membros da equipe que, todos os dias, após acordarem, anotassem seus sonhos e os enviassem por e-mail. Um dos apontamentos que ela me fez nesta mesma reunião foi que eu passasse muita confiança ao fazer este pedido, para que a recém-formada equipe não temesse detalhes ao descrever seus sonhos: “Eu sei que existem coisas extremamente pessoais nos sonhos, e que às vezes temos vergonha de compartilhá-los: são ‘monstros’. Mas tente transmitir confiança, pois são justamente esses ‘ouros’ que precisamos captar e trabalhar em cima da dramaturgia. É isso que necessitamos desconstruir e trazer para a nossa história, pois dará força e veracidade”.
E ela tinha toda razão!
Queríamos um projeto mergulhado no surrealismo dos sonhos, nos imprevistos do evento onírico, na realidade transfigurada. Queríamos transmitir aquele ‘monstro’. Sensibilizar através do impossível, da fantasia deste mundo onde tudo é verdadeiro. Onde a essência tem rosto e a crueldade é bela. Onde nós realmente, e possivelmente, somos nós mesmos.
Depois de muito se transformar, com a entrada e saída de pessoas da equipe, modificando e pesquisando os mínimos detalhes da dramaturgia final, hoje olho para o projeto, para o espetáculo, e percebo que a equipe se sente integrante da história e que esta própria história tem uma força indiscutível. Frequentemente eu ouvia nos ensaios gerais a iluminadora pensando alto: “Nossa, esta ação se parece em muito com aquilo que eu sonhei”. Suspeito que eles esqueceram o que sonharam naquela época, e o que talvez a Karine captou e transformou para o espetáculo, mas sinto que ele é filho de muitos.

Leandro Lunelli