"O teatro é isso: a arte de nos vermos a nós mesmos, a arte de nos vermos vendo!"
(Augusto Boal)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Curso - Teatro para Terapeutas

Olá!


Gostaria de convidá-los a participar da oficina que vou ministrar a partir de maio, no Instituto Müller-Granzotto em Florianópolis, chamada de Teatro para Terapeutas.

Trata-se, na verdade, de um grupo vivencial de teatro, voltado para todos aqueles que desejam ampliar suas formas de contato com os outros, ampliar sua própria expressividade e sua capacidade de percepção dos modos de expressão dos demais.


A palavra "terapeuta", aqui, não diz respeito apenas a um fazer clínico, próprio de psicólogos e profissionais afins, mas tamém e principalmente àquelas pessoas cujo trabalho implica uma abertura ética ao desenvolvivento integral das pessoas, em respeito sobretudo à sua alteridade.


Segue o cartaz da atividade, com indicação dos contatos:


Enfim, fico à disposição para qualquer esclarecimento, e aguardo vocês!
Grande abraço,
Diogo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

GESTALT E DANÇA - Oficina gratuita

Com o objetivo de fazer circular os saberes da cultura em suas relações com a Gestalt-Terapia, o Instituto Müller-Granzotto de Psicologia Clínica Gestáltica promove mais uma edição do projeto Cultura Gestalt.

Desta vez o tema é DANÇA E GESTALT, e a oficina será ministrada pela dançarina e coreógrafa Ida Mara Freire.

A atividade é aberta e gratuita, destinada a profissionais e leigos, enfim, a todos que quiserem experimentar-se na prática da dança, e compartilhar suas experiências à luz da abordagem gestáltica de psicoterapia.

Data: 18 de abril - sábado.
Horário: das 14:00 às 18:00
Local: Instituto Müller-Granzotto - Al. Gov. Heriberto Hulse, Centro, Florianópolis - SC.

Mais informações escreva para
- diboccardi@yahoo.com.br; ou
- instituto@mullergranzotto.com.br.

Segue o cartaz de divulgação:


Um pouco do que acontece nos palcos da vida

Olá!

Hoje escrevo inspirado por uma atividade que estamos preparando no Instituto Müller-Granzotto de Psicologia Clínica Gestáltica. Trata-se de uma oficina de Dança e Gestalt - da qual falarei em outro post.

A ministrante dessa oficina será a dançarina e professora Ida Mara Freire, cujo precioso blog eu fui visitar.
Gostei tanto que não resisti em humildemente transcrever um trecho de seu "escrevedance". Aproveitem!!!

"O ser humano sofre, escrevem Maria Martoccia e Javiera Gutiérrez no livro intitulado Corpos Frágeis, Mulheres Poderosas, em que Billie Holliday figura como uma das nove mulheres – outras são Virginia Woolf, Frida Kahlo, Simone Weil – que expressaram, em corpo e obra, o luminoso e o escuro, a incógnita do ser em plenitude vital e em sofrimento, em beleza, sabedoria e dor. Essas mulheres sofreram na existência as vicissitudes próprias do fato de terem um corpo como âmbito único onde tudo acontece. No entanto, a dor cria uma cotidianidade própria, de possibilidades e impossibilidades, de vantagens e desvantagens, cria partituras inacabadas."


(Ida Mara Freire - escrevedance.blogspot.com)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Teatro e Realidade?

Caríssimos,

A sugestão hoje, para falar de teatro e psicologia, é que vocês conheçam um pouquinho o trabalho do Grupo Teatral Ueinzz (http://ueinzz.sites.uol.com.br/), formado por pessoas que se ajustam psicoticamente. Trata-se de um excelente trabalho, em que a preocupação estética é aliada da difícil empreitada que é compartilhar os códigos da cultura, compartilhar a vida dita “normal” com quem tem uma vida diferente. Através da arte, especificamente da arte teatral – em que a “realidade” é apenas aquilo que se convenciona na relação cúmplice entre ator e público – podem ser compartilhadas as vivências individuais, independente dos estigmas de sanidade e funcionalidade.

Chama-me atenção, especialmente, a possibilidade incrível de ver legitimadas nossas fantasias, e nossa falta de sentido. Coisa muito rara e muito ética, e com efeitos muito visíveis!

Visite o site, leia o relato da história do grupo, e veja como isso tudo repercute em você!

Grande abraço!

sábado, 13 de dezembro de 2008

O psicólogo clínico e o desejo

Olá!


Hoje a idéia é apenas pensar um pouco neste cotidiano estranho: o desejo do psicólogo clínico.


Por que "estranho"?


Bom, em primeiro lugar porque poucas pessoas partilham desta rotina. Sentar-se em uma poltrona (ou cadeira, almofada, beira de leito, banco de praça, enfim) e ficar a ouvir um outro que se manifesta, e dar a este outro toda a importância que ele não encontra em qualquer lugar, e fazer disso profissão, isto é um tanto incomum.

Além disso, "estranhar" faz parte do trabalho do psicoterapeuta. O serviço que ele oferece àqueles que lhe procuram é precisamente o de olhar de forma outra para os relatos e ações já naturalizadamente reproduzidos. Quando o terapeuta estranha algo, abre espaço para o novo.

No mais, ainda, ao clínico cabe abster-se de desejar, abster-se de viver a expectativa do resultado, da mudança, do sucesso... Ele abre mão de querer, em função do querer do outro.

(reparem o quanto falo em "outro" - isso ainda renderá um post no futuro...)


O que move, então, o psicoterapeuta, a praticar seu ofício?


[Me inspira muito o "Poema em linha reta", do Pessoa.]

Me parece que o clínico é esse sujeitinho ordinário, "farto de semi-deuses", cansado de cruzar na rua com pessoas de plástico que, no dia-a-dia, buscam ser vistas sem defeito algum, e cuja maior satisfação é justamente que ninguém as estranhe.

Perambulando entre os amigos, familiares, colegas, desconhecidos, o futuro terapeuta se pergunta (como "Pessoa"): "onde é que há gente no mundo?!"

E aí se faz um clínico: no desejo de encontrar gente, e não príncipes. E de ver o que de gente há em quem se faz de príncipe.

Ouçam o Poema:





"Quem me dera ouvir de alguém a voz humana que confessasse não um pecado, mas uma infâmia, que contasse não uma violência, mas uma covardia..."


É esse o meu desejo como clínico: "eu, que tenho sido ridículo", quero descobrir "onde há gente no mundo".


E você? Que deseja?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O que é Gestalt-Terapia? E que blog é esse?

A Gestalt-Terapia é uma modalidade psicoterapêutica originada a partir da síntese crítica entre a clínica psicanalítica e a fenomenologia, desenvolvida pelo casal Fritz e Laura Perls, e por Paul Goodman, a partir de variadas contribuições.
A Abordagem Gestáltica, como também é chamada, ocupa-se de analisar a forma como, em cada vivência atual, os resquícios do passado e as possibilidades de futuro configuram um campo intersubjetivo, configuram as relações que travamos, sempre partindo da experiência mesma de contato com o mundo material.

A clínica gestáltica caracteriza-se por uma abertura ética à acolhida das formas de contato com o mundo, e dá importância tanto à linguagem verbal quanto a outros modos de expressão da singularidade no social – com ênfase na motricidade e em elementos pré-reflexivos.
Daí nossa intenção de articular, neste blog, a análise gestáltica e a arte teatral, e suas interfaces.

Queremos aqui criar um espaço de interlocução de saberes, práticas, discursos, objetivando sempre o crescimento pessoal e teórico, na tentativa de vivermos uma vida mais criativa e sensível.
A proposta é tanto comentar teoricamente as relações possíveis entre o teatro e a gestalt-terapia, quanto trazer as mais variadas linguagens para a cena gestáltica. Da mesma forma, aquilo que acontece - ou que pode acontecer - em gestalt-terapia terá seu lugar neste blog, como um palco onde todos podemos "nos ver vendo".

Afinal, o que importa-nos mais do que nossas próprias cenas cotidianas?

Abraços carinhosos a todos os leitores!

Diogo e Sabrina!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008